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ELE D’ARTAGNAN
O ator/pintor Ele D’Artagnan, na verdade Michele Lombardi Toscanini, nasceu em Veneza em 13/11/1911 e morreu em Roma em 23/10/1987. A mãe o deixou no orfanato desde criança. A sua estranha história no meio e às margens da “Dolce Vita” de Roma deveu-se ao fato de ser amigo do cineasta Federico Fellini e de ter trabalhado em cinco dos seus filmes. Em Cinecittà (a Hollywood italiana), entre os anos 50/60 e até os 70, D’Artagnan participou de cerca 40 filmes. Pessoa muito culta, frequentou o mundo artístico italiano entre Veneza, Milão e Roma conhecendo muitas personalidades famosas da cultura européia como, além de Fellini, Salvador Dalì, o grande pintor metafísico De Chirico, Novella Parigini; atores como Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Marcello Matroianni, Valter Chiari, Eva Vilma; músicos como Domenico Modugno o autor da canção “Volare”. Era também um tocador de trompa e amante da música em geral por isso nos seus quadros são sempre presentes elementos musicais.
Quando Cinecittà, a grande indústria do cinema italiano, fechou, D’Artagnan começou a pintar quadros, o que o levou a viver em condição de miséria. No triste epílogo da sua vida, ele queria contar através das obras toda a sua visão do mundo, uma espécie de confissão final, mas não negativa: as obras dele são, ao contrário, cheia de força vital, de cores, alegria e positividade.
As pinturas que ele deixou, são aproximadamente 500: obras que ele nem queria vender por medo de jogar fora parte da sua vida. Nos trabalhos ele usa uma técnica mista sobre materiais predominantemente descartáveis: como madeira, cartolinas, papelão etc. É evidente que a sua área artística pode ser considerada naif, mas com influência dos movimentos da pintura, como por exemplo de Chagall, Mirò, Kandinskij e seu amigo Dalì.
No final da sua vida D’Artagnan morou em uma favela de Roma e morreu pobre e esquecido por todos.
Ele deixou um testamento no qual não queria ter os seus quadros expostos pela primeira vez na Itália, mas no exterior, porque a Itália não reconheceu o seu trabalho.
Ele foi apresentado em Nova York, na exposição de Pintores Outsiders em Broadway, tendo um ótimo sucesso e com um lindo catálogo que apresenta a sua vida e as suas obras.
Também em Salvador teve uma exposição dos seus quadros nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro 2003 na Casa d’Itália.
O motivo de expor no Brasil é porque os fundos arrecadados através da venda dos quadros irão criar o Instituto Internacional de Artes, uma escola de artes para jovens carentes.
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