 Um artista esquecido no passado
Marcos
Uzel
Chega a Salvador parte do acervo de o-bras do
ator e pintor italiano Ele D''Artagnan (1911-1987), um artista
que teve uma vida estranha e curiosa, com espaço para o
glamour e a miséria. De hoje a sexta-feira (abertura às 18h),
na Casa D''Itália (Campo Grande), o público poderá conhecer e
adquirir quadros de D''Artagnan, que chegou a atuar em cinco
filmes de Federico Fellini, conviveu com celebridades, mas
envelheceu morando numa favela de Roma e morreu esquecido.
A partir da década de 50, sua vida deu um
grande salto. Foram dias de muita badalação em cidades como
Veneza, Milão e Roma, desfrutando do convívio com nomes como
os pintores Salvador Dali e De Chirico, o músico Domenico
Modugno (autor do clássico italiano Volare) e os atores Sophia
Loren, Gina Lollobrigida e Valter Chiari. Mas quando a
Cinecittà - a grande indústria do cinema italiano na época -
fechou suas portas, o ator desempregado teve que sobreviver de
outra forma.
Sua vocação para a pintura desabrochou a partir
daí. Foram cerca de 500 obras, trabalhadas com técnica mista
em cima de materiais como madeira, papelão e cartolinas. Entre
as influências de D''Artagnan estão Chagall, Miró e Salvador
Dali. O ofício, porém, não lhe deu dinheiro. Cada vez mais
distanciado do glamour cinematográfico, o artista empobreceu.
Só que não perdeu a alegria de viver, sentimento manifestado
em sua própria pintura multicolorida, refletindo
po-sitividade.
Ele D''Artagnan morreu com pelo menos uma
mágoa: ressentia-se de a Itália não ter reconhecido seu
trabalho como pintor. Recentemente, uma mostra de quadros do
artista esteve em evidência na exposição Pintores Outsiders na
Broadway, em Nova York. Agora é a vez de Salvador. A exposição
poderá ser visitada das 16h às 21h, sendo que na abertura
haverá uma palestra sobre o artista. A venda dos quadros será
revertida para ajudar na criação da Fundação D''Artagnan.
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